A construção civil investe 0,2% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento. A manufatura investe 5,1%. As farmacêuticas investem quase 17%. Segundo dados da OCDE, a construção é o setor menos intensivo em pesquisa entre os medidos.
Isso não é apenas um número sobre gasto. É um número sobre o ritmo em que o setor constrói o conhecimento de que precisa para gerenciar sua própria complexidade.
do faturamento investido em P&D — o menor índice de qualquer setor medido pela OCDE. Contra 5,1% na manufatura. Contra quase 17% nas farmacêuticas. O gap não é um erro de arredondamento. É estrutural. (Fonte: OECD Research Intensity by Industry, 2018)
Setores que investem pesado em P&D constroem conhecimento mais rápido do que seus problemas crescem. Eles desenvolvem métodos melhores, ferramentas melhores, frameworks melhores para entender o que estão fazendo e por quê. Esse investimento se acumula: cada ciclo de pesquisa produz insumos melhores para o próximo.
O setor de AEC investe, há décadas, num ritmo que não acompanha a complexidade que é cobrada dele. Metas de carbono zero, contabilização de carbono incorporado, reforma do licenciamento, mudança regulatória, adoção digital, fragmentação da cadeia de suprimentos — as demandas sobre o setor se multiplicaram. A infraestrutura de conhecimento para atender a essas demandas não cresceu no mesmo ritmo.
O resultado é uma indústria que muitas vezes responde a novas demandas aplicando métodos antigos — porque o investimento para desenvolver métodos novos nunca foi feito. A produtividade na construção civil mal se moveu em cinquenta anos. Isso não é coincidência.
Os números agregados descrevem uma condição estrutural. No nível de empresas individuais, o gap se apresenta de outra forma. Equipes que operam sem uma prática estruturada de inovação tendem a redescobrir as mesmas soluções de forma independente, entre projetos e escritórios. O conhecimento que deveria se acumular, em vez disso, reinicia. A expertise que deveria ser transferida, em vez disso, fica presa nos indivíduos que a detêm.
As organizações que gerenciam isso melhor não são necessariamente as que gastam mais com P&D no sentido tradicional. São as que tratam inovação como disciplina de gestão — com processos estruturados para capturar o que é aprendido, validar o que é assumido, e aplicar o que é sabido às decisões que mais importam.
É isso que a ISO 56001 endereça no nível organizacional. Não um exercício de compliance — um framework para fazer o investimento em conhecimento funcionar.
O número 0,2% descreve tanto um problema de estoque quanto de fluxo. Não é apenas que a construção civil gasta pouco com P&D agora — é que esse padrão se mantém há tempo suficiente para que o déficit de conhecimento se torne estrutural. O entendimento coletivo do setor sobre seus próprios processos, riscos e modos de falha é mais raso do que a complexidade do seu trabalho exige.
Esse déficit aparece em lugares previsíveis: projetos de conceito que carregam premissas não examinadas, iniciativas de inovação que geram atividade sem evidência, gastos em P&D que não podem ser articulados porque nunca foram estruturados. As organizações que começam a fechar esse gap — não com grandes programas, mas com abordagens proporcionais e estruturadas para como gerenciam conhecimento e validam decisões — não apenas têm melhor desempenho em projetos individuais. Elas acumulam essa vantagem ao longo do tempo.
O gap de investimento tem um espelho no gap de aproveitamento: segundo o PINTEC/IBGE, apenas uma fração pequena das empresas brasileiras elegíveis — entre 4% e 6%, conforme o ano da pesquisa — usa a Lei do Bem para deduzir o P&D que já realiza. Não há dado público específico para a construção civil, mas o padrão do setor sugere que o gap de aproveitamento aqui não é menor do que a média.
A ISO 56001 aplicada a AEC fornece o framework de gestão. Não é um programa de pesquisa — é o sistema que garante que a pesquisa que acontece seja estruturada, capturada e aplicada, em vez de se perder no ruído da pressão de entrega.
Para organizações que querem entender onde estão antes de se comprometer com um programa completo, o Innovation Practice Review é o ponto de partida. Ele mapeia o gap entre a intenção declarada de inovação e a prática real, e identifica onde o esforço estruturado geraria mais retorno.